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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Omaggio a David S. Ware (1949-2012) - II


"When free jazz seemed like a spent force, DAVID S. WARE brought something new — and greatly beautiful — to it." (Matthew Shipp)


Em 62 anos de vida, o saxofonista David S. Ware gravou 29 álbuns, registros de alguns dos capítulos mais expressivos da música contemporânea. Os dois discos que gravou nos anos 1970 seguem fora de catálogo, nunca foram reeditados em CD. Outros álbuns que lançou durante os anos 1990 também estão esgotados, há tempos. DIW, Silkheart, Aum Fidelity e Homestead são os principais selos que abrigaram sua música. Curiosamente, editou dois títulos pela major Columbia (“Go See The World”, de 98, e “Surrendered”, de 2000). Mas isso apenas ocorreu porque Branford Marsalis havia assumido na época como diretor artístico da gravadora e decidiu ousar um pouco. Como os discos não venderam nada (para os padrões da empresa), o saxofonista foi dispensado. Após o transplante de rim a que se submeteu em 2009, Ware editou cinco novos discos, demonstrando certa urgência diante de sua saúde titubeante. O último rebento, “Live at Jazzfestival Saalfelden”, foi lançado em julho deste ano, trazendo um concerto realizado em outubro de 2011. 

Na ampla discografia de Ware não se encontram deslizes de percurso; um nível elevado se mantém em toda trajetória, na qual algumas preciosidades merecem estar entre as vitais criações do mundo free jazzístico.
 Esse é o meu Top 5, cinco capítulos obrigatórios nessa obra fundamental que deveriam ser descobertos por todos apreciadores da música viva e criativa: 



 1. Dao (95)

Clássico absoluto do mítico quarteto de David S. Ware. O grupo (William Parker, Matthew Shipp e Whit Dickey) une de forma irretocável energia e espiritualidade, explorando com uma sonoridade particularíssima as veias abertas pelo free sessentista. “Rhythm Dao” e “Dao Feel” mostram como Ware era capaz de criar pequenos sedutores temas de partida para variações improvisativas geniais.







2. Oblations e Blessings (95)

Álbum que demonstra a face energy music do quarteto em seu esplendor. Faixas fulminantes com o sax fervendo como nunca. Infelizmente, no futuro apenas “Manu’s Ideal” costumava ser lembrada nos shows, porque “Fire Within” e “Serpents and Visions” (ouça abaixo) estão entre as realizações mais ácidas do saxofonista.



 

3. Criptology (94)

Outra peça de alto esplendor enérgico, com o mesmo quarteto dos dois discos já citados. Os sopros longamente expandidos, encorpados, sempre esmigalhando e recaptulando os temas simples, mântricos, com os quais Ware gostava de trabalhar. “Dinosauria” e “The Liberator” resumem o brilho e a intensidade da sessão.





4. Godspelized (96)

Susie Ibarra assume as baquetas, dando outro colorido à banda. Matthew Shipp é um dos pilares aqui, sendo muitas vezes o contraponto aos êxtases dissonantes do sax, como bem testemunha “Eternal Faces of Brahm”. O título Godspelized (um trocadilho com “Gos’pelized” - instructed in the christian religion) indica a profundidade espiritual que pontua a obra.




5. Live in The World (2005)

Álbum triplo com três concertos distintos gravados em 1998 e 2003. Diferentes bateristas (Ibarra, Guillermo Brown e o convidado especial Hamid Drake) se alternam, ajudando a variar a intensidade dos registros. Clássicos como “Aquarian Sound”, “Lexicon”, “Logistic” e uma versão completa da “Freedom Suite” de Rollins estão entre os temas visitados.