terça-feira, 11 de setembro de 2018

Livro sobre Braxton é reeditado







BREVES  Clássica obra sobre Anthony Braxton, Forces in Motion retorna às prateleiras em edição comemorativa de 30 anos...





 


Por Fabricio Vieira

Quem acompanha o trabalho do saxofonista e compositor Anthony Braxton, de 73 anos, sabe que seu trabalho já foi tema de diferentes livros. O mais antigo trabalho de fôlego editado sobre a obra de Braxton, Forces in Motion, apareceu pela primeira vez em 1988. Agora, recebe nova edição comemorativa de 30 anos, revista e ampliada. Este livro foi gestado a partir do acompanhamento feito pelo autor, Graham Lock, de uma turnê de onze dias do quarteto de Braxton – que contava então com Marilyn Crispell, Mark Dresser e Gerry Hemingway – pelo Reino Unido no ano de 1985. 

Bastidores, entrevistas, crítica e notas dos shows compõem o núcleo do livro, revelando-se um interessante testemunho de um período fundamental na trajetória de Braxton, além de ser uma oportunidade para vê-lo em cenários e momentos mais informais, tratando de assuntos além da música, do xadrez à astrologia. Uma cena antológica é quando o autor marca um encontro com Braxton para fazer uma entrevista. Tentando agradar o ídolo e buscando adivinhar como fazer isso, a partir da imagem de gênio que tinha dele, propõe irem a um “bom restaurante vegetariano”. À proposta, Braxton responde: “Ok... mas não tem um McDonald’s aqui por perto não?”
Esta nova edição recebeu um novo capítulo, fruto de conversas posteriores de Lock com o músico. Há ainda uma mudança no subtítulo, do “The Music and Thoughts of Anthony Braxton” original para “Anthony Braxton and the Meta-reality of Creative Music”.  



(uma passagem do livro)

Lock: "Let’s finish today with Ornette Coleman."

Braxton: "Mr Coleman... his work was a landmark for me. In grammar school I had two friends, Pierre and Tommy Evans, they lived about two blocks away, and one day – I had been well into my Desmond records in this period – one day I went with Tommy over to their house and. Mr Evans, he was like one of the guys in the neighbourhood who listened to jazz, not hip but maybe hip, a nice man, though, he knew about the music, he told me, look, take this record home, this is where the music’s going, you listen to this. The record was The Shape of Jazz to Come. I put it on – G-o-o-o-o-d-d-dd-a-a-a-a-m-m-m-m!!! Thissaxophonist!!!... I mean, he doesn’t sound like Desmond, this is not a Desmond sound, this isn’t where the music’s going! There must be some mistake! I took the record back – Mr Evans, please, that was the strangest shit I ever heard in my life. Then, over the next couple of weeks – Wow! That was a strange record! Let me borrow it again. I put it on – hmm, this is not music, it’s just not music. I took it back. The next week I’d be listening again – hmm! His compositions Lonely Woman and Peace were on that record, so it was like – Wow, this is really beautiful, I’ve never heard compositions like this. And the solos Ornette took on that record were so special."


Como disse o próprio Braxton: “Este livro deveria ser leitura obrigatória para qualquer pessoa interessada em minha música”.






"Forces in Motion: Anthony Braxton and the Meta-reality of Creative Music"
Graham Lock
412 pgs.
Dover Publications (2018)




















Os mais lidos...