quarta-feira, 5 de setembro de 2018

FULL BLAST: Live in Rio






LANÇAMENTOS O incrível trio europeu Full Blast, formado por Peter Brötzmann, Marino Pliakas e Michael Wertmuller, lança em outubro seu novo álbum, Rio, captado durante sua última passagem pelo Brasil...








Por Fabricio Vieira


Em 17 de julho de 2016, o Full Blast encerrava no Rio de Janeiro sua turnê sul-americana, que passou por diferentes lugares no Chile (Valparaiso e Santiago) e no Brasil (Salvador, Belo Horizonte, Jundiaí e São Paulo). No Rio, a parada foi na Audio Rebel, onde a apresentação do trio foi registrada e agora chega aos ouvintes pela Trost Records em parceria com o selo carioca QTV.

O Full Blast foi montado há mais de uma década pelos músicos Peter Brötzmann (sopros), Marino Pliakas (baixo elétrico) e Michael Wertmuller (bateria), tendo realizado seu primeiro registro, que rendeu fulminante álbum homônimo, em fevereiro de 2006. Na discografia oficial do trio aparecem cinco álbuns, afora este novo título e algum bootleg que circula por aí em versão CDR. O último título do grupo que tinha saído era “Risc”, de 2016. O trio tocou no Brasil em duas oportunidades, em 2008 e em 2016, quando gravou este Rio.

O novo álbum traz cinco faixas, todas chamadas de “Rio” (Rio One, Rio Two etc.), em que a explosiva linguagem do trio, armada por entre sinuosas e intensas improvisações, aparece de forma bem centrada: são apenas cerca de 40 minutos de música, com os temas mais longos, de 10 minutos cada, fechando o conjunto. O disco começa já em alta rotação, com Brötzmann ao sax tenor, sem introdução, desfiando ideias sobre a base percussiva fraturada e de pulsação acelerada de Wertmuller. O baterista começa solando no segundo tema, o mais breve com seus quase 6 minutos, abrindo caminho para a entrada fulminante de baixo (Pliakas tira sons incríveis aqui!) e tárogató, com Brötzmann faiscando, formando os momentos mais incendiários do registro. “Rio Three” começa mais climática, densa, com baixo e percussão subindo o tom progressivamente, até, lá pelos 2 minutos, o clarinete entrar em cena já em alta ebulição, sempre para cima, até culminar com bateria e baixo intensíssimos fechando o último minuto. Brötzmann volta ao tenor em “Rio Four”, agora um pouco mais relaxado, tateando um tema durante o primeiro minuto, antes de sair de cena e deixar o baixo solar sem pressa; o retorno do sax já perto dos quatro minutos vem com maior ímpeto, acompanhado pela aceleração do pulso percussivo. “Rio Five”, que fecha o álbum, começa mais uma vez com a bateria, em breve solo introdutório, acompanhada logo por baixo e sax, substituído depois pelo tárogató, quando as coisas esquentam de vez, rumo ao excitante final.



Rio, editado em versão limitada de 500 cópias em vinil, será lançado oficialmente em 5 de outubro, quando o Full Blast inicia nova turnê, começando pelo Reino Unido (Ps: parece que o trio desembarca no Brasil novamente em outubro!). 







Rio  ****(*)
Full Blast
Trost Records/QTV

















-----------
*quem assina:
Fabricio Vieira é jornalista e fez mestrado em Literatura e Crítica Literária. Escreveu sobre jazz para a Folha de S.Paulo por alguns anos; foi também correspondente do jornal em Buenos Aires. Atualmente escreve sobre livros e jazz para o Valor Econômico. E colabora com a revista on-line portuguesa Jazz.pt. É autor de liner notes para os álbuns “Sustain and Run”, de Roscoe Mitchell (Selo Sesc), e “The Hour of the Star”, de Ivo Perelman (Leo Records)

Os mais lidos...