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domingo, 15 de março de 2015

Play it Again... (algumas novidades imperdíveis)






Apanhado de novidades imperdíveis da free music.
Sons de todos os cantos, experiências em várias formas. 
Ouça, divulgue, compre os discos.










WORSE FOR THE WEAR ****
Ballister
Aerophonic Records

O trio formado por Dave Rempis (saxes), Fred Lomberg-Holm (celo) e Paal Nilssen-Love (percussão) chega a seu quinto título mantendo a energia elevada. Registrado ao vivo em Chicago no ano passado, Worse for the Wear apresenta o vigor característico desse intenso trio, no qual todos são protagonistas. Lomberg-Holm, talvez o mais criativo violoncelista do free em atividade, traz um colorido especial, incrementado por suas intervenções eletrônicas, à sonoridade do conjunto. Rempis utiliza os saxes alto, tenor e barítono, ampliando a palheta de sua sempre inventiva improvisação. Dividido em três temas, o álbum é relativamente breve, com seus poucos mais de 40 minutos concentrando um pouco do que melhor tem sido feito nesses dias.








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THE SUNSHINE DON’T MIND MY SINGING  ****
Dom Minasi and Blaise Siwla
Nacht Records


Os veteranos Dom Minasi (guitarra) e Blaise Siwla (clarinete e sax) se unem para esse saboroso duo. O conjunto de seis temas que formam o álbum flui com muita precisão e leveza, mostrando uma face lírica e cativante da improvisação livre. Curioso notar o som de passarinhos atravessando aqui e ali o disco todo. Siwla tem seus momentos mais iluminados ao clarinete, como pode ser conferido em “Bird Mixology”, que abre o disco, e na faixa-título. Minasi, com seu toque limpo, cria com exatidão o tecido sobre e por entre o qual o sopro desliza, gestando um diálogo realmente estimulante.







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LIVE AT CAFE OTO ****
Akira Sakata
Clamshell Records

O saxofonista japonês Akira Sakata está chegando aos 70 anos com muita vitalidade. Basta ver os vários grandes discos que lançou em anos recentes, especialmente ao lado de músicos europeus. Em passagem por Londres no ano passado, gravou este fantástico disco ao vivo, no Cafe Oto, com um quarteto formado por John Edwards (baixo), Steve Noble (bateria) e Giovanni di Domenico (piano). O par Edwards/Noble, que tocam juntos em diferentes contextos, conduz o rumo da faixa única de cerca de 40 minutos que compõem este Live at Cafe Oto. Sakata parte de seu instrumento base, o sax alto, e também abusa do clarinete, além de não se esquecer das características ácidas incursões com a voz. Música de ontem e de hoje para estimular os ouvidos.







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BUGIO ***
Bugio
Brava


O duo formado por Marcílio Silva e Ale Amaral em 2012 explora uma formação pouco usual: baixo e bateria. Trabalhando com temas compostos e improvisação, o Bugio mostra em sua estreia muita personalidade, adicionando uma pegada punk a vigorosas explorações instrumentais. Entre a explosiva “Urso”, a suja “Mamute” e a mais contemplativa “Porco Espinho”, o Bugio apresenta um instigante leque de possibilidades acústicas extraídas apenas de baixo e bateria. O álbum sai em vinil, com arte sob responsabilidade de Amaral: as capas artesanais são pintadas, coladas e carimbadas pela banda.







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JOURNAL DES EPISODES II ***
Michel Lambert
Jazz from Rant

O baterista canadense Michel Lambert dá continuidade a seu projeto “Journal des Épisodes”. Neste segundo capítulo, Lambert comanda novamente um trio (com baixo e piano) e conta com a participação de cordas em alguns temas. O álbum é composto por 97 pequenos movimentos, que variam de sete segundos a alguns poucos minutos. “Journal des Épisodes” é um projeto idealizado por Lambert em meados dos anos 80, destinado primeiramente a ser uma peça para orquestra, mas que acabou por ganhar vida apenas recentemente (o primeiro capítulo saiu em 2013), focada em um trio. Esse segundo episódio complementa a primeira etapa da jornada de Lambert e, mesmo sendo menos coeso, consegue prender a escuta. Disco feito para ser ouvido sem intervalos.






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FOGO NA CARNE ***(*)
Zarabatana
A Giant Fern

A formação trompete, baixo e bateria tem gestado encontros de grande inventividade nesses tempos, vide o “Zebulon”, de Peter Evans, ou o “Book of Three”, de Taylor Ho Bynum. De Portugal vem um novo trio que aposta no encontro desses instrumentos, o “Zarabatana”, que editou há pouco Fogo na Carne. O disco, que sai em cassete, traz seis faixas nas quais a empreitada sonora do grupo fica bem demarcada. Partindo da improvisação livre, o trio navega por elementos do free e do world jazz, criando um som de traços universalistas, mas bastante particular. O trompete límpido de Yaw Tembe conduz a viagem pelos espaços arquitetados pelo baixo de Bernardo Álvares e a bateria de Carlos Godinho. Nesse processo, a exploração percussiva é elemento basilar, sendo vital para o colorido do álbum – nos créditos, trompetista e baixista também aparecem como responsáveis pela percussão. Começar a audição pela inspirada Memória de Osso é uma boa forma para captar o que o “Zarabatana” pode oferecer.








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VAMPYROTEUTHIS INFERNALIS ***(*)
Luiz Moretto Quintet
Slam

O brasileiro Luiz Moretto (violino e rabeca) deixou o Brasil há mais de uma década, tendo se estabelecido desde o começo dos 2000 em Lisboa, onde trabalhou extensivamente com comunidades africanas. Interessado por free jazz e improvisação, se uniu ao saxofonista Alípio C Neto para gestar esse álbum, no qual une elementos tradicionais brasileiros (mais explícitos na interpretação de Moretto) à música livre. Para completar o quinteto, convocou três instrumentistas italianos – Francesco Lo Cascio (vibrafone), Gianfranco Tedeschi (baixo) e Marco Ariano (bateria) –, o que ajudou a dar um tom algo mais universal ao resultado. Saxes e vibrafone se revelam fundamentais para as belas composições de Moretto alcançarem seus melhores momentos.






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CHLOPINGLE ****
Tetterapadequ
Creative Sources

O quarteto Tetterapadequ apresenta, após um razoável hiato, seu segundo álbum. Registrado em julho do ano passado em Bruxelas, Chlopingle oferece três novos temas do interessantíssimo grupo que traz dois portugueses – Gonçalo Almeida (baixo) e João Lobo (bateria) – e dois italianos – Giovanni di Domenico (piano) e Daniele Martini (saxes). Partindo de uma formação clássica do jazz, o grupo explora elementos vários do gênero, mergulhando em densos improvisos e na liberdade contemporânea. “Non Negative Python”, que abre o disco, exibe bem as linhas investigadas pelo quarteto, com seu soturno e lento desenvolvimento, em que picos de tensão e relaxamento se alternam na construção do discurso. Na outra ponta, está “Monogamy Frightful”, a mais breve do conjunto, com seus cerca de oito minutos de energia mais concentrada. Um rico exemplar da música inventiva contemporânea.







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LUCIDITY ****
Atomic
Jazz  Land

O quinteto escandinavo apresenta um novo grande rebento, que surge em um momento importante para o grupo: a troca de seu baterista. Paal Nilssen-Love, que fez uma de suas últimas turnês com o grupo no Brasil, no ano passado, cedeu as baquetas a Hans Hulboekmo – que já se mostra bem integrado ao time. Esse novo disco do Atomic mostra que o grupo segue em alto nível, após mais de uma dezena de registros. A faixa-título traz os melhores momentos de improviso energético do conjunto, enquanto “A New Junction” revela uma pegada mais reflexiva do Atomic. Já o diálogo, ora áspero, ora harmônico, de Broo (trompete) e Ljungkvist (sax) fazem o brilho de “Laterna” e algumas das melhores passagens do álbum. 








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*o autor:
Fabricio Vieira é jornalista e fez mestrado em Literatura, tendo se especializado na obra do escritor português António Lobo Antunes. Escreveu sobre jazz para a Folha de S.Paulo por alguns anos; também foi correspondente do jornal em Buenos Aires. Atualmente escreve sobre literatura e música para o Valor Econômico.