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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O ano ainda não acabou: Sabu Toyozumi

Salvo surpresas, esse último bimestre não será nem sombra do que presenciamos em 2010, mesmo período, quando aportaram nas redondezas nada menos que Ken Vandermark, Ornette Coleman, Han Bennink e Crash Trio. Mas também não passaremos a seco, sem desespero:

*Novembro (12 e 13, Sesc) terá nas ‘Skull Sessions’ de Rob Mazurek seu prato principal. O cornetista americano se reunirá com companheiros de Chicago (Nicole Mitchell, Jason Adasiewicz) e locais (Mauricio Takara, Thomas Rohrer) para celebrar a fase elétrica de Miles Davis (depois falamos mais).

*Já dezembro (7), sem decepções: um convidado especialíssimo está na agenda: o percussionista japonês Sabu Toyozumi, que tocará e dará oficina no Centro Cultural São Paulo (CCSP).






Nada de exagero em apontar Toyozumi como o mais destacado baterista do Japão no campo da música livre. Yoshisaburo “Sabu” Toyozumi (1943, Yokohama) adentrou a free music apenas no fim da década de 1960, depois de uma intensa experiência rocker com os “Samurais”, banda que o levou a uma turnê pela Europa em 67, tendo –conta-se– chegado a participar de festivais ao lado de Pink Floyd e Jimmy Page.  A primeira associação com o free se daria por meio de um duo com o saxofonista Mototeru Takagi (1941-2002), que acumulava, por sua vez, experiências nesse campo com o trio do baixista Motoharu Yoshizawa e o quarteto do percussionista Masahiko Togashi. Em duo, Sabu e Takagi gravaram, em abril de 71, “If Ocean is Broken”, álbum recentemente relançado em edição especial/vinil duplo pelo selo Qbico. 
Seduzido pelo novo idioma que descobrira, Sabu Toyozumi resolveu imigrar para um dos pólos criacionais mais contagiantes de sempre: a AACM. Era ainda 71 quando o músico japonês chegou a Chicago para aprender com os mestres que ali se reuniam. No ano seguinte, seria a vez de se fixar em Paris, desvendando outras faces oriundas do free jazz. Curiosamente, sua biografia registra um “Brazil Tour” em 74 –mas disso nada sabemos...

Já solto dentro do novo idioma, criou o grupo “Sabu Unit” para desenvolver sua música.
Como líder, apareceu com o álbum “Message to Chicago” (74), no qual homenageava o pessoal da AACM, investigando inclusive um clássico do Art Ensemble of Chicago (“People in Sorrow”).  Entre 76 e 78, andou tocando em duo com o mito Kaoru Abe: a parceria rendeu o disco “Overhang-Party”, captado semanas antes da morte do saxofonista em setembro de 78.

Sabu Toyozumi logo se tornou uma das referências fortes da free music de seu país; muitos dos que excursionaram, especialmente a partir dos anos 1980, para o Japão acabaram por tocar com ele. Gigs na Europa e nos EUA também se tornaram habituais: Evan Parker, John Russell, Sunny Murray, Lol Coxhill, John Butcher, Marcio Mattos, Misha Mengelberg, Derek Bailey, Paul Rutherford, Roger Turner, Peter Kowald, Veryan Weston, a lista é extensa. Alguns discos gravados: “Ars Longa Dens Brevis” (87), com John Zorn e Fred Fritch; “Two strings will do it” (91), com Barre Phillips e Keiji Haino; “Cosmos Has Spirit” (92), com Wadada Leo Smith –apenas para lembrarmos alguns capítulos.

Quem de longa data se uniu a Sabu foi Peter Brotzmann. O primeiro registro dessa parceria data de 82, em uma passagem do saxofonista alemão pelo Japão; depois, outros vieram. Com Brotz, Sabu destila o ponto peso-pesado de sua pegada. Não há tanto espaço para divagações percussivas, que também fazem parte do cardápio do músico; são cinquenta minutos de acelerada incursão sax-bateria. É o tipo de registro que não deixa muito espaço para dúvidas: é pegar e escutar de uma sentada, ouvidos em alta estimulação.

1.First Set I (31:23)
2.First Set II (19:24)

*Peter Brötzmann: tenor, baritone, tarogato
*Sabu Toyozumi: drums, percussion

Recorded live in Tokyo in May 1982.