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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sons nas Redondezas - VI

São Paulo não reina absoluta e isolada no recente momento de fortalecimento da free music nas redondezas. No Rio Grande do Sul, mais especificamente em sua capital Porto Alegre, também tem ocorrido manifestações nesse sentido. Peter Brotzmann, Ken Vandermark e Mats Gustafsson, quando estiveram em SP, visitaram tb nossos amigos do Sul. Além disso, para nossa (paulistanos) inveja, o pianista russo Simon Nabatov (Moscou, 1959) esteve em Porto Alegre (ou POA, como costumam dizer por lá) no mês de agosto para residência (no Goethe Institut) e shows, sem passar nem perto de SP...

Fora essa cumplicidade de visitas, POA tem visto pipocar novos músicos prontos a aquecer a cena free nacional. Quem tem emergido com fôlego nesse processo é o quarteto JFM (Jamais Fomos Modernos). Arquitetado no fim de 2010, após o show do Ken Vandermark, o JFM já conta com bastante material captado e disponibilizado –o último trabalho apresentado por eles é "De Perto e de Longe", que pode ser conferido em link mais abaixo.

Clarinete e tenor (Diego), baixo (CP), bateria (Bruno), eletrônicos, secrefones, voz (Bode) e outras investidas mais estuturam o som do quarteto.

(JFM e Simon Nabatov, no Goethe Institut, agosto/2011) 

Conheci o Bode ano passado numa das reuniões que o pessoal que coleciona discos e pesquisa bandas de krautrock/progressivo do início da década de 70. Falamos sobre nosso interesse por noise/eletroacústico/free improv/free jazz, disse para ele que tinha um clarinete empoeirando lá em casa e ele insistiu bastante para montarmos um projeto. CP E Bruno eram velhos conhecidos meus de minhas andanças catando discos de free jazz. Convidei-os para formarmos uma banda e toparam prontamente. Quando nos encontramos no dia do show do Ken Vandermark, aqui em POA, acertamos detalhes etc e nos mandamos para um estúdio no mês seguinte”, conta Diego.

Apesar de pouco tempo de estrada, o pessoal do JFM teve a oportunidade de subir no palco com um nome forte da cena free internacional: o pianista russo Simon Nabatov, que passou em agosto por POA para uma temporada no Goethe Institut. Tal encontro, entre um veterano da cena free e jovens músicos desconhecidos, mostra como as coisas funcionam nesse campo sonoro. Diego explica que, sabendo da presença do músico no local, resolveu entrar em contato.

Peguei o telefone, liguei para o Instituto e disse: ‘Olá soube que o Nabatov está ai. Será que ele não quer tomar um cerveja com a gente?’ Ele retornou a ligação no mesmo dia, marcamos de nos encontrarmos sábado e viramos a noite bebendo e conversando. Lá surgiu a idéia de fazermos uma jam. Feito os acertos, nos juntamos no mesmo instituto dias depois. Um pouco do resultado pode ser visto em vídeos no youtube, embora esta improvisação tenha durado ao todo 39 minutos. Foi sem dúvida uma grande experiência para todos da banda, Simon é um grande nome e uma grande pessoa. Essa jam foi a verdadeira free improv, pois não combinamos nada, apenas subimos e tocamos. Saber que ele já tocou com praticamente todos os grandes nomes da free improv/free jazz e nós ali, ao lado de um mestre consumado, lógico que foi gratificante e bastante amedrontador, mas creio que o resultado foi bastante satisfatório para todos. Uma oportunidade única, certamente.

Já com essas credenciais, o JFM segue produzindo seu som, muito enérgico, em alguns momentos remetendo a traços de grupos marcados pelo diálogo com a ala rocker, como Painkiller e Zu. Sobre a cena local, Diego afirma que os dias já foram menos animadores –fica a expectativa por períodos mais fortes, com mais gente envolvida, público e shows, nada muito diferente daqui...

A cena de free improv aqui já foi bem pior. Agora está melhorando. Acredito que isso seja porque as pessoas estão fazendo mais improvisação livre aqui. Quando falei com Mats Gustafsson, aqui em Porto Alegre, ele disse que já tocou para uma dúzia só de barbudos na Alemanha e acho que aqui não vai ser diferente, ainda mais com artistas locais. (...) O interesse em fazer free improv tem crescido, aos poucos aparecem interessados, a internet ajuda a divulgar os nomes. Hoje você fala em Evan Parker, por exemplo, e quem nunca ouviu falar tem, de imediato, dezenas de vídeos no youtube, música on-line etc. Isso há 25 anos era impensável, difícil imaginar quem poderia ter um LP, digamos, da Incus aqui no Brasil, ainda mais podendo mostrá-lo a mais pessoas. O leque dessas pessoas é variadíssimo também: há os que se apaixonaram por Borbetomagus, outros preferem uma música mais quieta, estilo Potlatch. De nossa parte, podemos dizer que, se for livre, improvisaremos desde chiados a urros lancinantes."


Tracks 1-3 (23.07.2011)
*Bruno, CP, Diego e Estevão (guitarra e pedais)
Tracks 4-5 (07.07.2011)
*Bruno, CP, Diego e Bode
Tracks 6-7 (17.06.2011)
*Bruno, CP, Diego, Bode e Guilhermo (guitarra e pedais) 

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Para conhecer mais:
http://jamaisfomosmodernos.wordpress.com/