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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Informação organizada: artigo de luxo






The Penguin Guide to Jazz
*Autores: Richard Cook e Brian Morton  
*1.700  pags. (+-)
*Editora: Penguin
*Edições em inglês



Há algum tempo, quando decidi comprar em um saldão da livraria Martins Fontes uma edição do clássico The Penguin Guide to Jazz, não sabia o quanto o cardápio desse suntuoso guia me surpreenderia. O título é muito claro: Guide to Jazz. Mas encontra-se lá também vasta cobertura de nomes variados da free music: Evan Parker, Brotzmann, Phil Minton, Sunny Murray, Peter Kowald, Joe Maneri, Alan Silva, Paal Nilssen-Love –Derek Bailey tem seis páginas dedicadas à sua obra –, todos contemplados com resenhas de seus álbuns, dividindo espaços com Louis Armstrong, Coleman Hawkins e Wynton Marsalis. Na introdução, os autores dizem que a free music trouxe um problema para as classificações quando o tema é jazz. Mas que, considerando que as conexões entre improvised music e jazz são indiscutíveis, não viram motivos para serem preconceituosos e deixarem a free music de fora. O livro aborda, em sequencia alfabética de músicos, as diferentes faces sonoras oriundas do jazz, em todas suas vertentes, apresentando pequenas fichas e críticas de cada álbum selecionado.

Penso que a leitura aberta proposta pelo livro em muito pode ser compreendida pelo fato de seus autores serem dois críticos britânicos, Richard Cook (1957-2007) e Brian Morton (1954), bons conhecedores da cena free europeia e distantes de puritanismos estéreis. A trajetória deles indica bem seus gostos e rumos: Cook editou periódicos como New Musical Express (NME) e The Wire; Morton contribuiu muito com a Jazz Review e comandou por longos anos um programa de jazz contemporâneo e improvised music na Radio 3 (ligada à BBC).

A história do The Penguin Guide to Jazz começa em 1992, quando é editado pela primeira vez. Periodicamente, o mercado recebeu uma nova versão, revista e ampliada (as mais recentes alcançam as 1.700 páginas), do guia. Em 2008, pouco após a morte de Cook, surge a nona e última edição publicada. Em dezembro de 2010, Morton lançou The Penguin Jazz Guide: The History of the Music in the 1001 Best Albums, que se apresenta como uma versão mais enxuta de seu livro clássico e trouxe uma incógnita: agora, sem seu parceiro de projeto, haverá novas versões do Penguin Guide to Jazz?

Nesses tempos de downloads e Ipod, muitos devem se perguntar: mas para que serve um guia de discos? Alguém ainda compra discos? Para a música de consumo rápido –e mesmo o jazz e suas cercanias podem se encaixar aí– , ouvida semanas seguidas e depois esquecida ou deletada, informação é um bem supérfluo: que importa saber quem são as figuras que compõem o conjunto ou quando o trabalho foi gravado ou mesmo o que pessoas abalizadas escreveram sobre aquele som? Há também os que nada mais compram pois, afinal, tudo está aí, circulando sem amarras pela internet. Definitivamente, The Penguin Guide to Jazz não tem nenhuma serventia para esses...