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sábado, 26 de fevereiro de 2011

Omaggio a Joe Maneri (1927-2009)

O encontro da música erudita contemporânea com o jazz de vanguarda teve nas mãos de Joe Maneri um de seus capítulos mais sólidos. O saxofonista e clarinetista Joe Maneri, natural do Brooklyn, estudou durante uma década com Joseph Schimid, um antigo aluno de Alban Berg –que, por sua vez, foi discípulo de Arnold Shoenberg. Nesses longos dez anos, encerrados em 1958, Maneri se concentrou nos estudos de harmonia, contraponto e composição. Logo após essa jornada, passa a explorar mais o jazz, dedicando-se também a campos sonoros de diversos cantos, como Turquia e Grécia. É com esse background que grava seu primeiro álbum, “Paniot’s Nine”. O ano era 1963 e, com um quarteto, Maneri adentrou os estúdios da Atlantic para gravar oito faixas, com muita improvisação mesclada a sabores orientais. Mas o que parecia ser uma estreia empolgante acabou por se converter em desilusão: o disco não foi lançado, ficando na gaveta por mais de três décadas, até ser editado pela primeira vez, pelas mãos de John Zorn, no fim dos anos 90. Zorn soube do disco por intermédio de Harvey Pekar, autor de ‘comic book’ e antigo fã de Maneri que chegou, inclusive, a fazer dele personagem de HQ.

Sem laços com o mundo jazzísitico, Maneri concentrou-se no ensino: primeiro passou pelo Brooklyn Conservatory ; depois, entrada a década de 1970, assumiu uma cadeira no New England Conservatory, onde passou a dar aulas de harmonia e improvisação. Esse período foi relevante para que Maneri desenvolvesse suas idéias musicais, além de compartilhá-las com a geração mais jovem. A seus conhecimentos sólidos de serialismo e microtonalidade, integrou suas pesquisas como improvisador, além de resgatar elementos de música não ocidental, que sempre o fascinou. Joe se tornou um dos grandes especialistas em microtonalidade dos EUA, tendo desenvolvido teses próprias e criado cursos específicos; em 1988, fundou a “Boston Microtonal Society”. Dentre seus alunos que se integraram à cena free, destacam-se a saxofonista Matana Roberts e o celista Daniel Levin.

Sem abandonar a carreira acadêmica, Maneri retornou à cena jazzísitica no final da década de 1980, incentivado pelo seu filho, o violinista Mat Maneri –parceiro costumeiro de Matthew Shipp e Joe Morris. Nas duas décadas seguintes, até sua morte, Joe Maneri gravou cerca de 20 álbuns e realizou concertos com alguma regularidade. Em 24 de agosto de 2009, aos 82 anos, faleceu devido a complicações decorrentes de uma cirurgia cardíaca.    

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O primeiro disco lançado por Joe Maneri (lembrando que sua primeira gravação, de 63, ficou engavetada) foi Kalavinka. Tendo sido gravado em janeiro de 1989, trazia o veterano músico acompanhado de seu filho Mat e do percussionista japonês Masashi Harada. A música traçada caminha por rumos duros, distantes da praia jazzística, com um colorido muitas vezes de sombra mais européia que americana. Passagens silenciosas, quase estáticas, que pedem uma escuta mais vagarosa, alternam-se com períodos mais ásperos. Introdução rica ao universo de Maneri, o disco soa bastante diferente do registro do músico para a Atlantic na década de 60 e indica o rumo que pode ser apreciado em seus trabalhos posteriores.  


“Kalavinka”**

1. Number One 
2. Number Two
3. Kalavinka
4. Number Four
5. Number Five
6. Number Six
7. Number Seven
8. Number Eight
9. Number Nine

**Total time: 58:12 (uninterrupted track)

*Joe Maneri: tenor, clarinet, voice
*Mat Maneri: violin
* Masashi Harada: drums, voice

Recording date: January 11, 1989.

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Em 1993, Joe Maneri gravou três diferentes álbuns (“Coming Down The Mountain”, “Tenderly” e este ‘Dahabenzapple’), que seriam lançados um a um nos anos seguintes. Sempre com Mat a seu lado, Maneri seguiu com suas explorações livres, dando corpo a anos de pesquisa não registrada. Joe começa a segunda faixa ao piano, algo não muito usual. Interessante notar a participação do veterano baixista Cecil McBee (que tocou com Alice Coltrane, Pharoah Sanders, Wayne Shorter e tantos mais), músico com quase a mesma idade de Maneri, mas com quem jamais havia se encontrado.




1. Dahabenzapple (20:56)
2. The Love You're Giving Us (21:33)
3. Dedication (23:52)


*Joe Maneri: reeds, piano
*Mat Maneri: violin
*Cecil McBee: bass
*Randy Peterson: drums
Recorded live May 4, 1993 at Jordan Hall, Boston, Massachusetts.