FREE THE JAZZ!!!

IMPROVISED MUSIC, JAZZ ANARCHY, NEW THING, INSTANT COMPOSITION, OUT JAZZ, ALEATORY MUSIC, MODERN FREE, FIRE MUSIC, NOISE, AVANT-GARDE JAZZ, INTUITIVE MUSIC, ACTION JAZZ, FREE IMPROVISATION, JAZZCORE, CREATIVE IMPROVISED MUSIC. FREE THE JAZZ!!!

*SOBRE (about us)...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Antes de Vandermark, Mr. Ornette



Para quem chegou a achar, como eu, que o último grande show do ano estava reservado para o Ken Vandermark Trio, a confirmação da vinda de Ornette Coleman, no fim desde mês, superou todas as expectativas de agenda.
Ornette deveria ter desembarcado em SP em 2009. Na seção ‘tours’ de seu site, havia até data (algum dia de maio do ano passado) agendada para seu tão aguardado espetáculo por aqui. Mas por algum desacordo/imprevisto entre o músico e produtores locais, acabou por não tocar em SP –no dia em que deveria se apresentar aqui, fez um show extra na vizinha Argentina (há uma história sensacional da passagem dele por Buenos Aires. Contarei no próximo post para não deixar esse muito extenso).

Coleman completou há pouco tempo 80 anos (nasceu no Texas, em março de 1930). Se o ritmo de gravações caiu vertiginosamente nos últimos tempos, a agenda de shows do saxofonista segue acelerada: apenas neste segundo semestre, já fez cerca de 15 apresentações, passando por Itália, França, EUA, Rússia, Bélgica, Noruega e Holanda. O último disco que lançou foi “Sound Grammar” (2006), sendo o único registro em mais de uma década. É a mesma formação desse álbum que estará em nossos palcos: Ornette + dois baixos + seu filho Denardo Coleman na bateria.

Importante destacar que o Ornette vai tocar em meio a um evento amplo (“Mostra Sesc de Artes 2010”), o que resultará na possibilidade de levar sua música a um grupo de ouvintes bem mais amplo do que o de seus apreciadores veteranos. E realmente não importa se haverá a habitual “debandada dos desavisados” do teatro: se ao menos meia dúzia de pessoas que, ao degustarem sua música pela primeira vez sejam tocadas por ela e permaneçam na sala, o espetáculo terá sido mais proveitoso do que se apenas os ‘fãs’ comparecessem. Além de Coleman, haverá mais apresentações de peso sonoro durante o evento, como os italianos do vivo “Crash Trio” e o noise do “Splinter Vs Stalin”, além de Lou Reed revisitando seu polêmico “Metal Machine Music” (sua ousadia sonora máxima? blefe? piada mal compreendida?).

***********
Se Mr. Coleman é um dos ícones centrais do free jazz e da avant-garde, seu filho baterista Denardo sempre permaneceu à sombra (não que ele não tenha personalidade acústica ou vibração própria). Tendo estreado em disco aos 10 anos de idade (!), em 1966, no álbum do pai “The Empty Foxhole”, o filho de Ornette não fez carreira solista nem liderou grupos. Gravou diferentes álbuns e excursionou, mas tendo como base os rumos de seu progenitor. Também produtor, Denardo cresceu em um ambiente artístico (sua mãe é a poeta e performer Jayne Cortez) e foi iniciado na bateria aos 6 anos. Mas colocá-lo para gravar um disco aos 10 foi um ato de extrema provocação por parte de Ornette e um risco de exposição talvez exagerado para o menino. “The Empty Foxhole” é um belo álbum e Denardo cria situações curiosas; todavia, é patente sua falta de experiência e segurança no momento. É mais fácil ter-se um prodígio executando temas clássicos com domínio técnico de seu instrumento do que soltar um garoto para tocar “de forma free”...

 

O próximo registro do pré-adolescente Coleman surgiria apenas dois anos depois, em 1968. O álbum chama-se “Ornette at 12” (idade de Denardo no período). Aqui, pode-se ouvir um garoto mais seguro às baquetas, acompanhando com maior vitalidade seu pai, Dewey Redman e Charlie Haden. O disco é vigoroso,  com grandes ‘disputas’ entre Ornette e Dewey –parceria que gerou álbuns do calibre de “Love Call”. Tendo sido lançado pela Impulse! em 1969, recebeu uma versão em vinil na Europa na década de 70. Desde então, acabou esquecido, nunca tendo sido resgatado em formato digital. Se não é um “Top 10 de Mr. Coleman”, esse “Ornette at 12” merece ser redescoberto e apreciado. Aos desabituados ao universo colemaniano, fica esse saboroso petisco, que mostra os inícios das colaborações entre Ornette e Denardo.

A1   C.O.D. (7:25)
A2   Rainbows  (8:56)
B1   New York  (8:13)
B2   Bells And Chimes (7:15)

*Ornette Coleman: sax alto, trumpet, violin
*Dewey Redman: sax tenor
*Charlie Haden: bass
*Denardo Coleman: drums

Recording Date:  NYC, July 16, 1968.

-----------------------------------
"Ornette Coleman Quartet"
Sesc Pinheiros
Dia(s)
27/11 (sábado), às 21h30
28/11 (domingo), às 18h30