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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O taciturno Rudolph Grey

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Falar sobre Rudolph Grey é, no mínimo, tão complicado quanto abordar Arthur Doyle. Na verdade, é ainda mais difícil encontrar percursos biográficos e informações concretas sobre Grey. O taciturno guitarrista mantém, até hoje, sua postura de sempre, sendo avesso a entrevistas e promoções de sua criação artística. Além de músico, tem trabalhos como escritor, sendo o mais destacado a biografia (“Nightmare of Ecstasy”) do cineasta cult Ed Wood.



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O guitarrista surgiu na cena novaiorquina pós-punk e no wave da segunda metade dos anos 70. Primeiro ligado a bandas como 'Red Transistor' e 'Mars', começou a investir, na virada dos 70/80, em um intenso e curioso projeto, o “The Blue Humans”, que marcava o encontro da no wave com o free jazz. Data do ano de 1980 algumas gravações que fez ao lado de Doyle e do baterista Beaver Harris (1936-1991) sob o selo “The Blue Humans”. Como já falamos, problemas judiciais de Doyle, que o detiveram por longos cinco anos na França, esfriaram a parceria. Todavia, Grey, paralelamente a outros trabalhos, manteve aceso o “The Blue Humans” que, de fato, nunca foi um grupo: estava mais para um projeto do guitarrista, com o qual titulava gigs de free improvisation que conduzia. Por ali passaram figuras como Alan Licht, Charles Gayle, Jim Sauter e Thurston Moore.

Fora dos “The Blue Humans”, Rudolph lançou, em três décadas de estrada, discos solistas e com outras denominações _muitos desses, EPs e singles, o que faz com que a discografia do guitarrista não seja, em termos de 'tempo de múscia gravada', muito ampla.
T. Moore foi um de seus constantes parceiros, tendo tocado e trabalhado em discos juntos. Mas, diferente de Moore e do SY, Grey jamais adentrou a esfera pop-rock. Importante destacar a ponte que Grey sempre procurou fazer entre o rock e o jazz mais experimental. Além de Doyle, tocou/gravou com Rashied Ali, William Parker e David S. Ware.
O guitarrista anda mais sumido do que nunca (doente? morto? esgotado?). Na última década, nada de novo de sua música apareceu. Neste ano, chegou ao mercado o single “Ghosts II”, ao lado de Doyle: mas trata-se de gravação de 1980.


Alan Licht, também guitarrista e que acompanhou Grey nos anos 90, contou em entrevista algumas ‘curiosidades’ sobre o trabalho com Rudolph. Quando foram gravar Clear to Higher Time, Licht tentou conversar sobre o que fariam em determinada faixa, ao que Grey respondeu: ‘deve durar uns cinco minutos’. O álbum teria demorado para sair apenas porquê Grey levou muito tempo para definir como seria o desenho da capa.
Sobre To Higher Time, single lançado em 93 (a partir de show no CBGB de 1990), Licht conta que o registro é tão curto (uns 11 minutos) porquê o show durou só aquele tempo mesmo: “Rudolph apenas parou de tocar, de repente. Eu pensei: bem, então é isso.”


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Para quem se interessa mais pela faceta free rock de Grey, o álbum Clear To Higher Time, que saiu sob o rótulo “The Blue Humans”, é um grande momento. Duas guitarras (Grey + Licht) e bateria (Tom Surgal), produção assinada por Thurston Moore. Captado em 1991, o disco apresenta 4 faixas curtas e uma extensa improvisação (quase 20 minutos), nas quais as texturas ásperas características de Grey, que se afasta de qualquer melodismo, sobressaem.



clear

No caso daqueles mais atentos ao diálogo de Grey com o free jazz, há alguns outros registros (além dos já citados por aqui) que marcam suas parcerias com Arthur Doyle. Um desses é Transfixed. Lançado no final da década de 80, o álbum reúne diferentes gravações: o melhor fica por conta da faixa “Ghosts”, que mostra o guitarrista ao lado de Doyle. Não encontrei detalhes sobre a data da gravação, mas deve ser do começo da década, quando estiveram mais intensamente próximos. Transfixed, que foi lançado em 1988, traz ainda Grey ao lado de Summer Crane, ao piano, e em duas faixas de guitarra solo. O disco é irregular e mal gravado (especialmente a incendiária faixa com Doyle), mas não deixa de ser um registro de relevo.


transf
A1 Ghosts 12:31
Guitar - Rudolph Grey
Saxophone [Tenor] - Arthur Doyle

A2 1000 Luminous Flowers 2:56
Guitar - Rudolph Grey

B1 Whirl 4:55
Piano [Lower Register] - Sumner Crane
Piano [Upper Register] - Rudolph Grey

B2 Transfixed 8:24
Guitar - Rudolph Grey