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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Jazz al Sur - VIII

Enrique “Mono” Villegas (1913-1986) foi um dos mais destacados nomes do piano jazzístico argentino. Antes do jazz, descoberto na juventude, flertou com o erudito (estudou em conservatório; foi o responsável pela estréia do ‘Concerto em Sol’ (Ravel) em Buenos Aires, em 1932; gravou os prelúdios de Chopin, na década de 60). Mas seria com a clássica música negra norte-americana que construiria carreira e fama.


Ainda antes dos 'mais famosos' Gato Barbieri e Lalo Schifrin, Villegas desembarcou nos EUA, levado pela gravadora Columbia, que o descobrira em Buenos Aires. O ano era 1955. Gravou por lá dois álbuns em trio (‘Introducing Villegas’ e ‘Very, very Villegas’). Todavia, em 59, começaram a desmoronar os planos de ‘fazer a terra do jazz’: pressionado pela Columbia para mudar de estilo, enquadrar-se na gaveta ‘latin-jazz’, Villegas rompeu com o selo e viu as portas se fecharem. A saída foi retornar para sua Buenos Aires. Apesar do fim melancólico de seu período norte-americano, foi recebido sob aura de ‘herói musical’ em seu país _onde passou as décadas seguintes e sedimentou sua música. Em 71, em entrevista a um periódico local, comentaria o episódio, com mágoa:

“Me negué a prostituirme. Yo ya no puedo creer em nada ni em nadie. Antes creia em muchas cosas. Creía em la Columbia, cuando me contrato. Ahora es muy cómico que me vengan a preguntar que sensasión se tiene con el triunfo. Qué triunfo? Cuando triunfé yo?”

Villegas fez do trio seu modo central de fazer música. A maioria de seus trabalhos foi dedicado ao formato piano-baixo-bateria.
Seu dedilhado, primeiramente, foi equiparado ao de Erroll Garner; depois, alinhado a certo sabor monkiano. Porém, sua música abarca outros traços e referências. Antes de rumar aos EUA, chegou a gravar um disco chamado “Folklore”, no qual explora sonoridades populares argentinas. Peças suas também ressoam, suavemente, o tango de sua terra natal. Pode-se até admitir o ‘monkianismo’ de Villegas, mas não se deve ignorar as diferentes particularidades de sua criação.

Um disco que representa com esmero a música do pianista argentino é o álbum 60 Años, captado em 1973, em estúdio com pequeno público convidado. Em meio ao clima intimista, de comemoração, com Villegas falando muito entre as faixas, toda a versatilidade de seu som é exposta. De toques monkianos à melancolia tangueira, há espaço até para um curioso “Free”. Ao baixista Oscar Alem e ao baterista Osvaldo López (os dois parceiros mais constantes de “Mono”), soma-se, em duas faixas, o sopro de Ara Tokatlian (com quem Villegas gravou o belo ‘Inspiración’, em 76).



1 St. Louis Blues (W. C. Handy)
2 Caminito (J. de Dios Filiberto)
3 La Rosita (Dupont)
4 Free (E. Villegas)

*Enrique Villegas: piano
*Oscar Alem: contrabajo
*Osvaldo López: batería
*Ara Tokatlian: sax, flauta (2/4)

Grabado en 3 de agosto de 1973


De tanto apontarem Monk como uma de suas principais influências, Villegas acabou por gravar um álbum em homenagem ao célebre pianista. O lado A do disco traz um medley de clássicos temas de Monk, no qual pode ser observado o alcance do diálogo entre os dois pianistas. A sonoridade desse álbum é mais coesa, menos abrangente do que a de 60 Años. E procura desnudar o sabor monkiano do dedilhado de Villegas.


Lado A
1- Tributo a Monk
a- Bemsha swing
b- Round Midnight
c- Blue Monk

Lado B
1- Es solo una luna de papel.
2- Charmaine.
3- Podria ser la primavera.
4- Saint Thomas.

*Enrique Villegas: piano
*Jorge Lopez Ruiz: contrabajo
*Eduardo Casalla: bateria

Año de Edición: 1967