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sexta-feira, 5 de março de 2010

Music for Xaba

Mongezi Feza (1945-1975) já foi citado aqui, mas apenas como homenageado, no disco do pessoal do 'Blue Notes'. Trompetista sul-africano, desembarcou na Europa nos 60 junto a uma tropa de jazzistas de seu país, onde acabaria vivendo até sua prematura morte, que ocorreu em um período em que enfrentava uma pneumonia e tentava lidar com problemas psiquiátricos.

Feza começou a tocar trompete muito cedo e, ainda adolescente, passou a trabalhar profissionalmente. Tanto que quando deixou a África com os Blue Notes, em 64, contava com apenas 19 anos... Dono de sopro lírico, com picos explosivos, Feza afirmava ser influenciado por estruturas rítmicas percussivas africanas para compor sua sonoridade. Do trompete, dizia-se herdeiro de Clifford Brown e Booker Little. Como Don Cherry, flertava com a percussão, que gostava de tocar no palco.

Em 72, o baixista Johnny Dyani, que vivia em Estocolmo, chamou Feza para formarem um trio, que contaria ainda com o percussionista turco Okay Temiz. O grupo fez uma série de apresentações naquele ano, que renderam três álbuns: 'Music for Xaba -Vol. One'; 'Music for Xaba -Vol. Two' (lançados separadamente); e 'Rejoice'. A variedade de instrumentos utilizados pelos músicos nesses álbuns, além de seus originários, não cria um pejorativo efeito world music. Como Pharoah Sanders e Don Cherry naqueles 60s/70s, o trio Feza/Dyani/Okay compõem um espaço free jazzístico com elementos percussivos e rítmicos africanos, de forma inventiva e distante de clichês.

Johnny Dyani (1945-1986) acaba por se mostrar o eixo central de Music for Xaba -Vol. Two, com seu intenso dedilhado (além de passagens ao piano e voz) direcionando o disco e os outros músicos. Dyani não é um exímio pianista ou cantor: o baixo é seu instrumento definitivo, sem dúvida, como pode ser notado aqui. O baixista talvez tenha sido o músico daquela leva de expatriados sul-africanos que mais se integrou na cena free europeia e americana. Gravou e tocou com Don Cherry, Steve Lacy, McCoy Tyner, David Murray, Joseph Jarman, Leo Smith, Butch Morris...



Na primeira faixa de 'Music for Xaba', o baixo de Dyani é contemplado em extenso solo. Na sequência, “Mighty Blues”, ele assume piano e vocal para dar vida a esse free blues. No decorrer da música, a voz do baixista vai a segundo plano, ecoando por trás do trompete de Feza. Para “Dear Africa”, a mais onírica do álbum (ecos de uma África perdida?), Mongezi traz seu trompete com surdina, o que eleva o efeito etéreo, de acento melancólico. Esses músicos acabaram por ficar até o fim de suas breves vidas peregrinando pela Europa: sua “Dear Africa” tornou-se parte do imaginário memorialístico... e essa composição é uma bela homenagem.

*Johnny Dyani: Bass, piano, vocals
*Mongezi Feza: Trumpet , percussion,
*Okay Temiz: Percussion, Drums

01 - Mad High: 12:53
02 - Mighty Blues: 08:25
03 - Dear Africa: 06:54
04 - Makaya Makaya Makaya: 09:02
05 - Witchdoctor’s Son: 04:58

"Teater 9", Stockholm, november, 1972