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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Poucos dias, muitos sons

Reunir diversos músicos apenas para uma gravação ou uma apresentação é prática comum no jazz. O mais interessante é quando esses músicos nunca tocaram juntos e, melhor ainda, estão entre os mais destacados no que fazem. Em janeiro de 98, os celebrados baixistas Peter Kowald e Dominic Duval montaram um trio, que ainda contava com o saxofonista Mark Whitecage, para algumas apresentações. Nesse mesmo período, Dominic, Jay Rosen e Joe McPhee vinham se apresentando juntos com o seu 'Trio X'. Em meio a essas gigs, começou a brotar a ideia de juntarem-se todos no mítico “The Spirit Room”, quartel general do pessoal da CIMP. Aos cinco músicos já citados, reuniram-se o violinista David Prentice e o trompetista Paul Smoker. E o resultado foi esse Cimphonia, gravado em maio de 98.
O espírito livre, a pura free improvisation, marca esse encontro desde o início. Mais do que tocarem sem ensaios ou planejamentos, os músicos foram chegando aos poucos, a partir do dia 25 de maio, no local combinado e começando a tocar com quem estava a postos. Os primeiros a desembarcarem foram os caras do Trio X, que foram direto de uma gig em NY no dia anterior. No fim da tarde, apareceram Kowald e Mark. A primeira sessão começou naquele dia, à noite. Paul Smoker e David Prentice foram os últimos a chegarem, apenas no dia seguinte, quando os outros músicos já haviam executado sons que comporiam algumas das faixas do álbum.


O resultado da reunião foram faixas com instrumentações diversas; não são todas que contam com a participação de todos os sete músicos juntos _como ocorre, por exemplo, em “Wow Wow II” e “Fractals.5”. Há temas apenas com os baixos em ação (“Good Clean Fun” e “Endorpher”), outro para trompete e bateria (“Standard”) e por aí segue... Entre muitas passagens mais contemplativas, há momentos de grande energia, como em “Zee Zoning”. O som às vezes pode soar um pouco mal produzido. Mas isso é proposital, uma escolha do pessoal que comanda o ‘The Spirit Room’ _onde as gravações acontecem. Para quem desconhece, esse é um estúdio quase caseiro, criado pelo pessoal da CIMP Records. Da capa do álbum à hospedagem, passando pelas refeições e a captação do som, tudo é feito no mesmo local, uma chácara da família Rusch, que comanda todo o processo da gravadora. A captação do som é feita de forma simples e direta, sem remixagens posteriores. É normal ouvirmos os instrumentos ora subindo, ora desaparecendo em meio aos outros _mas acho até que o resultado acústico desse álbum está mais equilibrado do que outros da gravadora que conheço. Se alguém me perguntasse do que se trata free improvisation, eu ofereceria esse disco como introdução: instrumentistas dos mais respeitáveis, em um encontro que mostra diversas facetas desse campo de exploração sonora.


Recording Date: May 25-27, 1998