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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Contos do capitão Blood

James “Blood” Ulmer está longe de poder ser apreciado como um guitarrista clássico de jazz. Dono de uma sonoridade free que atingiu sua maturidade nos 70, ecoa sem fazer força influências do blues (cada vez mais crescente em sua obra), funk e mesmo de um Jimi Hendrix. Quem ouviu por aqui Joe Morris _quem não ouviu, aproveite e revisite o tópico_ irá se deparar com outro universo, longe das sutilezas que marcam seu toque.

James “Blood” Ulmer nasceu em 1942 (St. Matthews, South Carolina). Passou por grupos de soul e funk nos 60, até começar a se misturar com o pessoal free nos 70. Após desembarcar em Nova York, em 71, chegou a tocar por curto tempo na banda do baterista Art Blakey. Seria em 73 que se juntaria a outro baterista lendário, Rashied Ali, com o qual gravou naquele ano. Nesse tempo, subiu ao palco com Ornette Coleman e passou então a participar com assiduidade das gigs promovidas pelos músicos free. Foi ainda naquela década que fez sua estreia, como líder, em disco.
No começo dos 80, formou com David Murray e Ronald Shannon Jackson o Music Revelation Ensemble, grupo pelo qual passariam nos anos seguintes gente como Julius Hemphill, Arthur Blythe, Sam Rivers e Hamiet Bluiett. Os 80s também marcaram a retomada da parceria com Ali com quem, a partir de 87, trabalhou com o coletivo Phalanx, que ainda contava com Sirone (baixo) e George Adams (sax). Em anos recentes, tem gravado discos com pegada mais blues, tendo inclusive chegado a soltar a voz. Com álbuns produzidos por Vernon Reid (Living Colour), que também participou com sua guitarra em algumas ocasiões, Ulmer conseguiu obter uma visibilidade maior.



Tales of Captain Black, seu segundo álbum, surgiu em 1978 e trouxe um tempero especial: o saxofonista Ornette Coleman _que convocou seu filho Denardo para tocar bateria. A harmonia simbiótica entre a guitarra de Ulmer e o sax de Ornette faz com que pareçam parceiros de longa data. Somente esse equilíbrio dialógico já seria suficiente para fazer desse álbum um material altamente recomendável.
O disco soa bastante como o quê o lendário saxofonista produzia na época; em alguns momentos, pode-se apreciar destacadas sonoridades rotuladas então como free funk _Ulmer talvez seja o guitarrista que melhor alocou a pegada funk no território free jazz.
“Moons Shine” é uma oportunidade de sentir a levada mais blues que também acompanha Ulmer. Enquanto Denardo faz uma marcação crua e enérgica, em acelerando, guitarra e sax dialogam em melodia arrastada e repetitiva, antes de “Blood” assumir o primeiro plano com um solo curto, mas muito marcante, que conduzirá os músicos novamente à melodia inicial.
Outros grandes momentos estão em “Revelation March”, a faixa mais pesada e que mais soa como uma peça colemaniana (apesar de todas composições serem de Ulmer), e “Arena”, na qual pode-se apreciar com maior generosidade o guitarrista.

Recorded at RPM Sound, NYC on December 5, 1978