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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O esquecido clássico de David Wertman


Kara Suite é uma daquelas gemas perdidas do mundo sonoro, nunca reeditada e apenas localizável às vezes em lojas internacionais de discos usados. Álbum sem estrelas, não despertou o interesse de ser resgatado no formato digital. Curiosamente, o disco é até pouco comentado: considero uma maravilha, que conta com músicas intensas, com temas que ecoam repetidamente nos ouvidos e que poderiam ter se tornado, facilmente, referência dentre os que buscam sons novos e raros.


Kara Suite foi gravado em junho de 1976 no Sound Hut, em New Jersey, tendo à frente o baixista David Wertman. É difícil encontrar informações sobre Wertman. Ele é um baixista norte-americano, nascido em 1952 e que despontou na cena jazzística da NY dos anos 70, quando gravou e tocou ao lado de caras como Steve Reid, Billy Bang, Marion Brown, Archie Shepp, Dr. Lonnie Smith e Charles Tyler. Ainda nos 70, o baixista fundou o Sun Ensemble, com o qual gravou o belo álbum Wide Eye Culture _este relançado em CD pela Vivid Sound em 2008. Em seu nome, aparecem poucas gravações nesse tempo todo. Presumo que ainda esteja vivo, mas a última gravação que descobri foi um disco para o selo CIMP, um trio com Charlie Kohlhase (alto) e Lou Grassi (drums) captado em junho de 2002.



Lançado pelo obscuro selo Mustevic Sound Inc., de NY, Kara Suite traz Steve Reid na bateria, e nos sopros Charles Tyler (sax alto), Richard Schatzberg (french horn) e Ken Simon (tenor). David Wertman também aparece como compositor e produtor. A faixa que mais impressiona e impregna o ouvinte é a terceira e mais longa do álbum, Sharatarr, que inicia o lado B. Sharatarr abre com uma linha de baixo repetitiva e envolvente, muito swingante, acompanhada sutilmente por Reid. Logo entram os sopros, com Schatzberg e Simon fazendo a cama para Tyler deslizar seu tema. Solos intensos dos sopros substituem a sedutora levada inicial, até que o clima primeiro seja retomado para fechar Sharatarr. Não sei como, ao menos essa faixa, não se tornou um “clássico-underground”.








kara


*O álbum ganhou uma nova versão em 2005. Weasel Walter, um dos fundadores do Flying Luttenbachers, pegou o Kara Suite original e fez uma releitura de viés pós-moderno, gravando overdubs de bateria em cima. Sem apagar as batidas originais de Steve Reid, adicionou as suas. O resultado é curioso e interessante, deu agilidade à versão de 76 - mas é óbvio que não a substitui...