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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Encontro na Fundacio Juan Miro

O encontro de Assif Tsahar, Peter Kowald e Sunny Murray na Fundacio Juan Miro, em Barcelona no verão de 2002, já nasceu histórico: foi a primeira e única vez que o baixista alemão e o baterista americano subiram juntos ao palco. Com a inesperada morte de Kowald pouquíssimo tempo depois, o disco ganhou certa aura mítica. Essa foi uma das últimas vezes que Kowald teve seu dedilhado captado. O baixista morreu em 21 de setembro de 2002. A gravação na Espanha ocorreu em 25 de julho de 2002, acabando por se tornar uma homenagem à memória de Peter _foi lançada apenas após sua morte. O baixista foi vitimado por um ataque cardíaco, após uma gig no Brooklyn, na casa de seu amigo William Parker.

Assif Tsahar cresceu em Tel-Aviv, tendo se iniciado musicalmente na guitarra. Chegou ao saxofone apenas aos 17 anos. O clarinete-baixo, outro instrumento que costuma tocar, entrou em sua palheta somente aos 29. Se estabeleceu em NY na virada das décadas 80/90, onde estudou na Mannes College of Music. Foi um dos cofundadores do famoso Vision Festival, ao lado de William e Patricia Parker. Tsahar cita dentre suas influências David Murray, Ornette Coleman e Peter Brotzmann _mas não espere que ele soe como algum deles.

Em entrevista à All About Jazz em junho de 2005, Tsahar contou um pouco de seu início:
I came to New York at the end of 1989. I was twenty years old. It was bad times in some senses and good time in other senses. There was not much work or much awareness. I have a great friend, poet Steve Dalachinsky, who organized my first concert, I played solo, and afterwards Rob Brown and Whit Dickey played duet, and I was so excited that I fell off the stage. I would bust go to hear and see everybody. With William Parker, I just came to see him play every week, and after the break one week, he just said, come sit in, with his In Order To Survive.

Também teceu comentários sobre sua parceria com Peter Kowald:
For four years we played all around. We even toured in Israel with Hamid Drake. He is just like William Parker, so beautiful, his relation to the music, and how he was with the music. His life and his life within the music was one. I saw him play with twelve years old girl who just started and he played with her with no pretence, just to make music, and it sounded so beautiful. There was no ego there.


Para quem gosta de baixo, esse MA: Live at the Fundacio Juan Miro é generoso, oferecendo longas improvisações de Kowald. Murray está até discreto, mas sem deixar cair sua intensa e inconfundível batida.
Em sete faixas, o trio mostra afinidade e leveza, como se a parceria durasse décadas. Em “Ka”, Kowald sola na primeira metade da música, alternado arco e dedilhado, até que, lentamente, o clarinete-baixo de Assif vem a seu encontro, criando uma atmosfera etérea, sob a qual sutis toques de Sunny passeiam. Essa é a faixa mais “suave” do disco e uma das mais intrigantes.

Assif Tsahar- reeds
Peter Kowald- bass
Sunny Murray- drums

1. Ma 17:14
2. Ya 11:14
3. Ka 15:45
4. Da 7:16
5. Ba 10:58
6. Wa 5:33
7. Ma 2:32
8. Peter Kowald 1:46

Ps: sem planejamento prévio, com esse álbum acabamos por completar uma "trilogia Assif Tsahar". Representante da nova geração free/improv, o saxofonista israelense mostra que, ao falarmos de free jazz, não estamos lidando com um conceito histórico e datado. Essa música continua viva. Mesmo que muitos prefiram ignorar esse fato.