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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Pharoah Sanders: Astral Traveling



Pharoah Sanders não exige muitas apresentações. Parceiro de Coltrane em seus últimos trabalhos, é responsável por um dos sopros mais graves e potentes já extraídos do sax tenor. Nascido Ferrell Sanders, em outubro de 1940, gravou uma série de discos, especialmente entre as décadas de 60 e 70, nos quais fundiu três faces de suas paixões: o free jazz, a sonoridade africana e a espiritualidade de matriz indiana. Os nomes de muitos de seus discos e composições (Karma, Astral Traveling, Morning Prayer, Black Unity) sinalizam sua busca e o rumo que tomou. A gama de sons trabalhados e criados por Sanders formam um complexo sistema sonoro revelador de ambientes de sabor muitas vezes inusitado. Por tudo isso, sua música não se oferece com facilidade. Seu free não é agressivo de ponta a ponta. Pelo contrário. Não faltam devaneios regados a certos orientalismos ou arquitetados por meio de instrumentações de origem afro que dão cor única a muitas de suas criações. Seus discos gravados para a mítica Impulse! _o primeiro foi Thauid, de 66, e o último Elevation, de 73_ dão destaque a essa fascinante face de Sanders. Não à toa, o saxofonista desagradou a muita gente naquele período.

O primeiro disco que Sanders gravou como líder após a morte, em julho de 67, de seu mentor John Coltrane, foi Izipho Zam. Gestado em janeiro de 69, Izipho Zam traz um seleto grupo de músicos que estavam na cena free naquele momento: os baixistas Cecil McBee e Sirone; Sonny Sharrock na guitarra; o saxofonista Sonny Fortune; Lonnie Liston Smith ao piano, além de outros convocados para executar as 3 faixas que compõem o álbum. Como costuma ocorrer nos discos de Pharoah, principalmente entre os 60/70, vemos a alternância de momentos de placidez com outros de alta agressividade sonora. Nesse disco, especialmente em sua extensa última faixa, Sanders desenvolve um esquema que muito utilizaria: longas improvisações amparadas em um grande grupo amplo de músicos. Esse formato alcançou na obra de Pharoah seu momento máximo em Black Unity, gravado em 24 de novembro de 1971 e lançado no mesmo ano pela Impulse!.



Izipho Zam abre com “Prince Of Peace” (8:53), entoada pela particular vocalização de Leon Thomas, que remete aqui à sua clássica The Creator Has A Master Plan, que abririra o disco Karma, gravado também em 69. Peace não está apenas no título: essa é a faixa mais contemplativa do disco, com o piano e sinos fazendo a base principal sobre a qual Thomas recita seus versos e arquiteta seu canto.
Na faixa seguinte, o grande momento de variações free do álbum: "Balance" (12:50). A música se inicia com um tema simples, retomado várias vezes pelos sopros, e que marcará as alternâncias entre os momentos melódicos e os deslizes improvisativo-ruidosos. Esse é o momento no qual o sax de Sanders mais se destaca no álbum, com grandes passagens em que exibe o sopro explosivo que o tornou conhecido, criando grandes muralhas sonoras, amparado pelos outros insitrumentos de vento.
No lado B do álbum (se pensarmos em seu formato original), há a longa jam “Izipho Zam”, que se estende por mais de 28 minutos e encerra a viagem. A faixa pode ser dividida em três partes: a primeira é a de maior calmaria, recorrendo novamente às vocalizações de Leon Thomas, como em uma continuidade de “Prince Of Peace”. Aos 11 minutos, Sonny Sharrock surge com sua guitarra para avisar que uma nova seção irá ser iniciada: aos 12 min, Sanders aparece com seu sax e executa um tema, sendo logo substituído pelos instrumentos de percussão, que assumirão a música até os 20 min quando, mais uma vez, Sharrock surge para avisar que um novo episódio terá início. E é aos 22 min que teremos o retorno de Sanders e o começo do caos, com os sopros levando a música a uma altura nunca antes alcançada em Izipho Zam. Antes da faixa encerrar, veremos uma diminuição na avalanche sonora, que será retomada em seus últimos 10 segundos, até ser interrompida por um fade out (que nos leva a pensar: até onde a improvisação seguiu? Pois é óbvio o artificialismo do fim de Izipho Zam, com certeza cortada devido às limitações do formato LP...)