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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Cecil Taylor: piano extremo

O pianista Cecil Taylor passou por SP em 2007. Em curta apresentação solo, Taylor mostrou sua arte pianística e o porquê de ser um dos maiores nomes dos teclados. Quem conhece Cecil Taylor sabe que ele extrapola as linhagens clássicas do piano-jazz, vai além do esperado e dialoga com a música erudita contemporânea, tendo estabelecido um universo próprio. Curioso que é normal vermos pessoas que nunca leram James Joyce _apesar de se dizerem interessadas em literatura_ citarem o nome do escritor irlandês como forma de “enriquecerem” seu discurso. No caso de Taylor, o que vemos é muita gente adepta do “piano bem tocado” inflamar-se contra seu dedilhado: esse cara não sabe tocar? para que espancar o teclado?

Quando Cecil Taylor, nascido em 1929, apareceu na cena jazzística, em meados da década de 50, ainda tentava fazer uma ponte entre seu som único e a sonoridade dominante do período. E esse esquema não rendeu frutos tão significativos. Para o pianista, isso pareceu claro, tanto que buscou outros rumos. Enquanto tateava no escuro da criação artística, lavou pilhas de pratos para pagar o aluguel _mesmo já tendo discos gravados e mais de 30 anos de idade... Mas, consciente do que buscava em música, Taylor seguiu e, apesar de pouco ter tocado e gravado entre 62 e 65, sedimentou sua sonoridade exatamente nesse período, no qual passou a contar com a parceria de seu escudeiro Jimmy Lyons (sax alto). Os álbuns Nefertiti, the Beautiful One Has Come (62) e Live at the Cafe Montmartre (64) são dessa época de incertezas, na qual acabou por solidificar seu som e iniciar de fato a jornada que se mantém viva até hoje.


Acompanhado de Jimmy Lyons, Rashid Bakr (bateria) e William Parker (baixo), Taylor desfila sua afiada sonoridade neste The Eighth, gravado em nov/1981. Em duas faixas, Calling It the 8th (58:10) e Calling It the 9th (10:50), o ouvinte têm a oportunidade de apreender o universo sonoro desse fenomenal músico _se não o conhecer. Para quem está acostumado a seu agressivo dedilhado, que inclui intervenções dos punhos e mesmo do cotovelo no teclado, The Eighth é uma tour de force representativa dos melhores momentos do pianista.